Decorreram, nos dias 24 e 25 de maio, as VII Jornadas da Associação Portuguesa de Hotelaria Hospitalar (APHH).

Este evento anual tem por objetivo reunir responsáveis pelos Serviços Hoteleiros em Unidades de Saúde, para discutir temas em áreas fundamentais destes serviços. Este ano, 25 oradores abordaram temas na gestão de Parcerias Público-Privadas, arquitetura hospitalar, gestão de resíduos, hospitalidade, alimentação, formação e comunicação não verbal.

Homenagem a José Joaquim Nogueira da Rocha

No primeiro dia das Jornadas, a APHH homenageou José Nogueira da Rocha pela “inspiração para as futuras gerações de profissionais”, como professor e profissional.

É atualmente Provedor do Associado e do Cliente do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais  (SUCH) e ao longo da sua carreira desempenhou altos cargos na Administração Pública: Administrador-Geral dos Hospitais Civis de Lisboa (1968-1978), Diretor-Geral de Organização e Recursos Humanos da Segurança Social (1979-1985), Diretor-Geral das Instalações e Equipamentos da Saúde (1986-1990) e foi Presidente do Conselho de Administração do SUCH entre 1990 e 2002.

Foi professor na Escola Nacional de Saúde Pública pela primeira vez em 1976, onde mais tarde dirigiu o curso de Administração Hospitalar.

Na revista Saúde Pública, em 1984, foi publicado um artigo da sua autoria sobre as prestações hoteleiras nos hospitais, onde procurou estabelecer as bases a partir das quais um serviço desta natureza deve ser pensado. Um artigo visionário sobre a importância e as dificuldades dos serviços hoteleiros, que o percurso feito ao longo destes anos demonstrou ser verdade.

Foi autor e coautor de diversos diplomas legais na área da Saúde.

Nesta cerimónia de homenagem, estiveram também presentes o ex-ministro da Saúde Correia de Campos que descreveu o percurso pessoal e profissional de José Nogueira da Rocha e a Secretária de Estado da Saúde, Rosa Valente de Matos, que entregou a Medalha de Serviços Distintos – Grau Ouro do Ministério da Saúde atribuída a José Nogueira da Rocha «pela importância que detém na construção do Serviço Nacional de Saúde, tanto no plano académico, como no âmbito da organização e gestão da rede de prestação de cuidados».

Hotelaria hospitalar: o serviço mais avaliado pelos utentes

A cerimónia abriu relevando a importância da hotelaria nos hospitais, descrita por António Franklim Ribeiro Ramos, presidente do conselho de administração da ULSAM, como “valorizada e mais facilmente percecionada pelos utentes”. A qualidade da alimentação, a limpeza e o conforto ambiente são os mais criticados, positiva ou negativamente, pelos pacientes.

O envelhecimento da população, a escassez de recursos e a evolução do conhecimento científico e tecnológico levarão a que no futuro os hospitais sejam mais pequenos em número de camas, com menos tempo de internamento, e a um aumento das unidades de cuidados continuados com necessidade de um serviço hoteleiro de excelência em contexto de cuidados de saúde. Ainda assim estas unidades terão um custo inferior em cerca de 20 a 25 por cento, por cama, quando comparadas com um hospital.

Gestão hoteleira dos hospitais PPP

Numa sessão moderada por Maria João Lino da Silva, presidente da APHH, Raquel Lusquiños (Hospital de Braga) e Rui Moreira (Hospital de Vila Franca de Xira), ambos com responsabilidade hoteleira na José Mello Saúde, falaram das vantagens que se podem retirar quer da internalização, quer do outsourcing de serviços.

O fator qualidade foi evidenciado em ambos os casos, e o controlo de recursos humanos é o aspeto de mais difícil controlo no outsourcing, segundo Raquel Lusquiños. Os 23 por cento de poupança correspondentes ao IVA, são também uma vantagem muito significativa.

Arquitetura hospitalar: eficiência no uso e conforto

António Faria Gomes, Presidente da Direção na Sociedade Portuguesa de Instrumentação Médica, falou da importância do conhecimento e aplicação das Normas na construção e implementação de sistemas inteligentes de engenharia e de informação e comunicação nos hospitais.

O arquiteto Miguel Crespo Vásquez mostrou variados exemplos de hospitais públicos, muitos já em funcionamento, com projetos de arquitetura que transformaram o hospital de uma “máquina de curar” a um “espaço de bem-estar” tanto para os pacientes como para os profissionais de saúde. Os espaços verdes e a luz natural são os elementos mais potenciados.

Resíduos nos hospitais: há espaço para melhoria

Há espaço para melhoria e redução de custos na gestão de resíduos nos hospitais.

Rui Berkemeier, da associação Zero, apelou à partilha de dados de produção nos diferentes grupos de resíduos produzidos nos hospitais. Os dados oficiais disponíveis são de 2006 e foram estes os usados no Plano Estratégico dos Resíduos Hospitalares (PERH) 2011-2016.

Está em preparação um novo PERH, que se espera basear-se em dados recentes de produção e não com um hiato de 5 anos.

Carlos Oliveira Augusto (Factor4Sustainability) e Luís Marinheiro (ISWA) falaram do conceito de economia circular e da possibilidade da sua aplicação em contexto hospitalar. É possível aumentar a separação dos resíduos equiparados a urbanos e a produção de energia, biogás, mesmo em circuitos internos nos hospitais.

Há espaço para a hospitalidade nos hospitais?

Este foi o tema da quarta sessão das jornadas e Sofia Lopes, médica dentista e doutoranda em gestão do turismo, responde afirmativamente, evidenciando o papel crucial dos enfermeiros nesta matéria.

Helena Pinto, nutricionista, apresentou a alimentação como instrumento de hospitalidade, com função terapêutica.

Para Ilídio Lobão, vogal da comissão executiva da Santa Casa da Misericórdia do Porto, apresenta a hospitalidade como sinónimo de cordialidade e fraternidade que deve existir como um comportamento natural numa unidade de cuidados de saúde tanto para com os pacientes como entre os profissionais, fundamental para a condição humana.

Alimentação saudável

No segundo dia das jornadas, o programa dedicou um painel à alimentação saudável.

Numa componente mais prática, a imposição dos recentes normativos legais na perspetiva do fornecedor, com as experiências de Paula Felgueiras (coordenadora de unidade produtiva no CHCoimbra) e Natália Costa (ITAU).

Susara Karim Silva, nutricionista da ULSAM, falou da alimentação saudável como medida de prevenção.

Formação e motivação para o exercício de funções nos serviços de saúde

Teresa Jalles com 20 anos de experiência em docência e funções de coordenação pedagógica no ensino público e privado, Filomena Fernandes, pós-graduada em gestão de serviços de saúde, com experiência de gestão hoteleira hospitalar e António Lopes de Almeida, coordenador e docente da licenciatura em gestão da hospitalidade, com uma cadeira vocacionada para os hospitais, foram os oradores convidados para este painel.

As VII Jornadas terminaram com uma conferência de encerramento dedicada às ferramentas de comunicação não verbal. Emídio Carreiro, pediatra e diretor do Centro da Criança e do Adolescente no Hospital CUF Porto e docente voluntário de pediatria na Faculdade de Medicina do Porto foi o palestrante convidado.

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