A carência de camas de internamento, sobretudo entre os meses de dezembro e maio, foi um dos assuntos mais debatidos do 25º Congresso Nacional de Medicina Interna, que decorreu de 23 a 26 de maio no Algarve.

“Não é possível continuar a ignorar este problema que afeta todos os anos os Serviços de Medicina Interna dos hospitais, principalmente na época mais fria. Tem de existir um plano de resposta delineado para cada hospital, e para isso são necessárias diretivas nacionais que garantam a equidade entre os hospitais, e que promovem dessa forma a qualidade e segurança no tratamento dos doentes”, pediu João Araújo Correia, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

A SPMI realizou, em fevereiro, um inquérito que teve como objetivo contabilizar o número de camas extra e de doentes com internamento concluído em cada Serviço de Medicina Interna. Segundo o internista, “através de uma amostra de 78 por cento do total dos serviços desta especialidade, que corresponde a uma lotação base de 4.866 camas, verificou-se que havia até então 2.142 camas extra (mais 44 por cento), com 39 por cento de doentes internados no Serviço de Urgência, 53 por cento noutros serviços e 8 por cento em camas “acrescentadas” aos Serviços de Medicina Interna”.

“Esta foi a primeira vez que se pôde contabilizar e justificar o enorme acréscimo de trabalho a que os internistas são submetidos num período nunca inferior a três meses, o qual deve ser contabilizado como produção adicional”, explica João Araújo Correia.

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